Mas o que, de fato, as empresas estão fazendo para melhorar a situação social do país e da comunidade em que está instalada?

Esse termo tem sido colocado no centro de várias discussões, seja por investidores, empresários, empreendedores, tanto brasileiros, quanto estrangeiros. Esse conceito veio para ficar e será cada vez mais fator central das discussões.

O termo ESG, advindo do inglês, Enviromental (ambiental), Social (Social) and Governance (Governança) é originário do Tripé da Sustentabilidade e considera a economia como sendo inerente às boas práticas nesses três fatores dentro de uma organização. 

Os princípios ESG permitem a abordagem de uma série de questões que, além de serem cruciais para o bem da sociedade, manutenção do planeta e construção de um mundo melhor, afetam diretamente os resultados das empresas. 

Neste artigo proponho fazer uma reflexão sobre o aspecto social do ESG, frente a situação epidêmica que estamos vivendo. O SOCIAL (S) deve estar em evidência dentro das empresas pois estas possuem um papel importante tanto no equilíbrio econômico quanto na saúde mental das pessoas.

IMPACTO SOCIAL NA PRODUÇÃO

“Segundo a pesquisa 10 Principais Tendências Globais de Consumo 2021, publicada pela Euromonitor International, no mundo pós-pandemia, o ativismo de marca ganhou um novo significado social, forçando empresas a priorizar ações sociais e auxiliando no desenvolvimento de produção e estilos de vida mais sustentáveis. O estudo mostrou que 69% dos profissionais esperam que consumidores se importem mais com a sustentabilidade do que antes da Covid-19; já 73% acreditam que iniciativas de sustentabilidade são essenciais para o sucesso das marcas.

“Na mesma linha, estudo realizado pelo Instituto Akatu e GlobeScan, Vida Saudável e Sustentável 2020: Um Estudo Geral de Percepções do Consumidor, mostrou que mais de 80% dos consumidores esperam que as empresas sejam transparentes quanto aos impactos causados por seus processos produtivos na comunidade, sejam eles de ordem ambiental, política, econômica ou social, assim como mais de 60% aguardam que as corporações estabeleçam metas para tornar o mundo melhor.”

“Para Mari Tiellet, especialista em transformação digital e vice-presidente de midmarket na SAP Brasil, esses dados são inerentes as companhias que têm de forma muito clara quais são os seus propósitos. Ele diz que: “o lucro pelo lucro já não é a única variável agregadora de valor, o foco das novas empresas está além do lucro, está também na experiência, na resolução do problema do seu cliente, na sustentabilidade do seu negócio, na produção econômica e ecologicamente viável”. (fonte: revistahsm.com.br)

A pandemia iniciou um movimento entre os consumidores que começaram a avaliar o que as empresas estavam fazendo para colaborar com a situação. A preocupação com a responsabilidade social começou a ganhar força, tanto para investidores quanto para consumidores.

ESG – A IMPORTÂNCIA DO SOCIAL

Diversity teamwork with joined hands

Sabemos que as empresas fazem parte de um sistema social maior e mais amplo. São construídas por pessoas e produzem bens e serviços para outras pessoas. Mas o que, de fato, as empresas estão fazendo para melhorar a situação social do país e da comunidade em que está instalada?

De forma mais ampla, podemos dizer que a responsabilidade social abrange vários pontos importantes como o Capital humano propriamente dito; o treinamento da força de trabalho; as relações e condições de trabalho; a diversidade e a inclusão social; e a privacidade e segurança de dados.

Além disso, pensar em responsabilidade social dentro das empresas está bastante relacionado com a cultura e os valores da marca.

Pensando nisso, o sucesso do pilar SOCIAL depende muito do envolvimento da liderança para incentivar a aplicação dessas diretrizes.

Segundo o neurocientista Daniel Friedland, “a liderança consiste em atos de influência, principalmente aqueles em que o líder se coloca em dúvida e está pronto para avaliar o impacto que possui nos liderados.”

Ele afirma também que o líder das empresas precisa ser fantástico em três pilares:

1. Execução, em que há uma disciplina para absorção e atualização de conhecimento, resiliência e pragmatismo fortes;

2. Comunicação, pois é fundamental se comunicar com o time, saber delegar, ser respeitoso, passar feedbacks;

3. Emoção, momento em que líder precisa acessar o colaborador porque é sua responsabilidade deixar a pessoa mais sã possível para produzir mais.

Outro ponto importante a ser destacado é que, além do líder, as empresas não podem esquecer da importância do cuidado mental e físico dos funcionários, especialmente nesses tempos inseguros de pandemia e pós pandemia.

A empresa precisa criar condições e deve possibilitar recursos físicos e humanos para que o colaborador possa se equilibrar em relação à sua saúde mental e criar espaços para que os funcionários possam realizar suas atividades sem pressa ou pressão por resultados.

Outro aspecto importante é que as empresas precisam criar uma zona de segurança, em que haja diálogo e que todos possam se sentir acolhidos em momentos necessários.

Estudos apontam que as empresas conectadas ao SOCIAL do ESG já estão à procura de profissionais mais humanos, mais sustentáveis, mais saudáveis, sem perder a responsabilidade e preocupação com os resultados de longo prazo.

DICAS DE COMO IMPLEMENTAR MEDIDAS DO “SOCIAL” NA EMPRESA

Pensar em responsabilidade social abrange diferentes frentes de ação, porém isso pode ser mais simples do que parece, além de não exigir um grande investimento. Algumas ações podem ser feitas internamente, considerando definitivamente a cultura da empresa.

1. Fazer comunicação com responsabilidade social

Uma das formas de trabalhar a responsabilidade social dentro das empresas é através de uma comunicação mais humanizada, com valores alinhados à responsabilidade social. Isso é importante e mostra a preocupação tanto para os colaboradores quanto para o público da empresa.

Alinhar a comunicação de acordo com os valores da empresa, mostrando essa visão de importância com questões sociais é algo que pode ser feito de forma direta, sem grandes investimentos.

2. Dar o exemplo a partir da Liderança

Diretores, gerentes, coordenadores, supervisores e líderes precisam ser exemplo quando o assunto é responsabilidade social. A partir das ações tomadas pela liderança, tanto o público interno quanto o externo “entendem” quais são os valores da empresa em questão.

Por isso, é imprescindível alinhar ações e comportamentos com as pessoas que são a imagem da empresa, para que a marca tenha força e realmente transmita o que a instituição valoriza.

3. Preocupar-se com os colaboradores

Com a pandemia de coronavírus, a vida de diversos colaboradores mudou do dia para noite. E mesmo após um ano, algumas empresas ainda não adequaram os formatos de trabalho, nem implementaram medidas de segurança para contribuir com a vida pessoal e profissional dos colaboradores.

Cuidar, antes de tudo, dos colaboradores mostra a preocupação com todas as pessoas e, segundo especialistas, contribui também para a mudança da cultura da instituição, que tem resultados muito mais duradouros.

4. Promover medidas de inclusão e diversidade

As empresas que ainda não se adequaram para promovê-las estão ficando para trás. Isso porque, atualmente, o público cobra, cada vez mais, um posicionamento das empresas quanto a isso. Repensar políticas de seleção e, principalmente, de manutenção dessas pessoas dentro da empresa é primordial.

A exemplo disso, alguns de nossos clientes, pensando no conceito de ESG e preocupados com o espaço que ocupam na sociedade, desenvolveram programas de Responsabilidade Social com foco em:

  • Políticas de Investimento Social Privado com foco na educação ambiental, educação para diversidade e educação focada em crianças, jovens, adultos e melhor idade;
  • Fortalecer os negócios locais, com compras na comunidade;
  • Ações voltadas as áreas de Esporte, Cultura, Educação e Desenvolvimento;
  • Painéis de comunicação e engajamento com a Comunidade.

As empresas do sucroenergético são muito cobradas pela melhoria das condições de trabalho, pela redução da poluição e pela administração de todas as suas ações e processos. Assim, investir no modelo de negócio baseado no ESG trará, com toda certeza, maior sustentabilidade para a organização.

Finalizo este artigo com a mesma pergunta feita anteriormente: O que sua empresa está fazendo, de fato, para melhorar a situação social do país e da comunidade em que está instalada?

*Por Márcio Gossler

Fontes:

Revista HSM

Consumidor moderno

UOL economia

*Márcio Gossler

Consultor – Ação Consultoria e Treinamentos