Siga-nos

Lideranças Vulneráveis

Acredito que exista um paralelo bem interessante entre os pilares da segurança da informação e os pilares de uma liderança de alto nível.

No mundo digital, diversas ameaças surgem todos os dias, buscando encontrar uma vulnerabilidade que possa ser explorada. Para evitar esses riscos, temos os security officers (analistas de segurança) consumindo seus neurônios e investindo seus esforços para proporcionar a sensação de um ambiente seguro, e, se possível, inviolável, proporcionando-lhe certa tranquilidade em realizar suas compras via internet e as transações que desejar. Basicamente, esses analistas buscam manter a confidencialidade, integridade e a disponibilidade das informações, também conhecidos como os pilares da segurança da informação:

Confidencialidade. É garantir que a informação esteja disponível apenas àqueles autorizados a terem acesso; como o caso do uso de seu cartão bancário que possui uma senha criada por você, exclusivamente sua que lhe dá acesso as suas informações.

Integridade. É garantir que o conteúdo não tenha sido alterado independente de sua condição. No caso do seu cartão é ter a certeza que as informações que você recebe a respeito de seu saldo no banco são as verdadeiras, independente se sua conta está no positivo ou negativo.

Disponibilidade. É ter acesso a informação no momento necessário ou desejado. É chegar ao caixa eletrônico e poder realizar a operação que desejar no momento que quiser.

Acredito que podemos usar esses três pilares da segurança no tema liderança. O líder hoje não é mais aquela figura autoritária do "manda quem pode e obedece quem tem juízo", ou pelo menos não deveria ser. O líder atual precisa muito mais influenciar, inspirar e alcançar resultados com, e por meio dos colaboradores, do que apenas mandar.

Para isso, essas qualidades são extremamente necessárias:

Confidencialidade:

Seja você um aspirante a liderança ou um líder experiente, ser alguém de confiança é uma condição extremamente necessária.

Qualquer pessoa com quem você se relacione tem uma imagem a seu respeito. Esta imagem é criada a partir do que ela houve falar de você e de suas próprias impressões resultando em uma ideia de como você é. A partir disso ela decide se pode confiar em você ou se não pode, pois tem a impressão que se ela contar algo pessoal ou sigiloso essas informações poderão acabarão nos ouvidos de pessoas que não possuem autorização para isso.

Um líder que não inspira confiança nos outros terá muita dificuldade de influenciar seus liderados. Para mostrar-se confiável, é preciso que o líder tenha:

Credibilidade cumprindo aquilo que promete e mantendo um discurso coerente com suas ações;

Clareza, não escondendo o jogo;

Receptividade, para conviver com pessoas de diferentes perfis.

Trazendo essa realidade para você, como você acha que as outras pessoas te veem? Seus pares e superiores confiam em você? Seus liderados se inspiram em seu estilo? Seus valores quando em conflito com as mais diversas situações, são negociáveis?

Integridade:

Vem do latim integritate, significa à qualidade de alguém ou algo de ser íntegro, isto é, de conduta reta, pessoa de honra, ética, educada. Seus liderados precisam ter a certeza que você é íntegro em suas decisões, em seus critérios para escolher quem ficará em seu lugar durante suas férias, íntegro em suas escolhas para promover alguém e íntegro para dar-lhes um feedback sobre seu comportamento de maneira assertiva produzindo o resultado desejado que pode ser o abandono de um comportamento inadequado ou a incentivo a um comportamento exemplar desejado.

Quantos colaboradores acabam sendo demitidos por ineficiência técnica, ou comportamento inadequado sem nunca terem recebido um feedback a respeito? Qual é a percepção da equipe com respeito ao líder possivelmente omisso neste caso?

Da última vez que você tirou férias, qual foi mesmo o critério utilizado para escolher seu sucessor? Todos em sua equipe sabiam deste critério? Ninguém mais satisfazia este critério?

Disponibilidade.

Imagine a seguinte situação:

Você tem um assunto importante para tratar com seu chefe que geralmente se mostra muito atarefado e um pouco descontrolado. Sendo assim, você tenta resolver sozinho mas como não é possível, pois você precisa do aval dele espera a "hora certa" para ir até ele. Quando não é mais possível esperar, você olha ao redor, olha pra ele, se estiverem no mesmo recinto e se dirige até a mesa dele com um diálogo interior:

- Será que é a melhor hora?

No caminho você vai repassando a abordagem estrategicamente pensada e passa pelas mesas que dão acesso ao chefe, que como sempre está concentrado em seu computador. Os poucos passos até ele parecem demorar uma eternidade.

Seu chefe está com um semblante nada sereno, mas como você não pode mais esperar, segue em frente. Em meio a esses pensamentos e certa insegurança, você o vê levantando as sobrancelhas, mantendo a cabeça ainda baixa e fitando-o por cima de seus óculos. Não tem mais como voltar, você foi farejado!

Você chega a perto da mesa de seu estimado chefe e pergunta se ele tem um tempinho para vocês conversarem sobre algumas pendências e ele responde com um leve balançar da cabeça em sinal de sim.

Você então lhe conta toda a história e tudo o que ela faz é lhe dizer duas ou três palavras sem parar o que estava fazendo e nem ao menos olhar para você.

Você volta para sua mesa e no caminho ainda que a resposta tenha sido positiva, quais pensamentos passam pela sua cabeça a respeito da atitude dele? Como você se sente nesta situação?

Se você é líder e conscientemente ou não já agiu assim, perceba como seu liderado se sente. Esse "modus operandi" afasta ou aproxima o colaborador de você? Fortalece o espírito de equipe ou amplia uma cultura hierarquizada e autoritária, gerando um clima ao menos desconfortável?

É evidente que existem colaboradores equivocados e que podem interrompê-lo sem o menor critério em um momento quase impossível de dar atenção, mas mesmo nestes casos talvez seja possível, parar por 10 segundos, olhar adequadamente para o colaborador e de maneira assertiva dizer-lhe que esta não é uma boa hora, ou que você precisa de alguns minutos para terminar o que está fazendo e assim que terminar ou tiver a possibilidade de interromper você mesmo irá falar com ele.

O quanto você se mostra disponível para sua equipe?

Considerando estes três pilares e fazendo uma autoanalise você tem se mostrado integro, confiável e disponível aos seus colaboradores? É assim que eles o veem?

Claro que existem muitas outras características, competências e comportamentos necessários ao líder, mas talvez essas sejam indispensáveis.

A liderança é uma poderosa combinação de estratégia e caráter. Mas se tiver de passar sem um, que seja estratégia.

(Gen. Norman Schwarzkopf)

Henrique Gomes é consultor Ação Consultoria e Treinamento e Executive coaching pela ECA, GCC e ICI.

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar